Uma das premissas fundamentais que caracterizam os atuais serviços de cuidados continuados é o foco num modelo médico de cuidados. Isto significa que os serviços são principalmente concebidos para dar resposta a necessidades de saúde física e deficiências, frequentemente em ambientes institucionais como lares de idosos. Embora esta abordagem seja crucial para indivíduos que necessitam de supervisão médica 24 horas por dia, 7 dias por semana, muitas vezes negligencia as necessidades diversas e em evolução dos idosos que procuram manter a sua independência e qualidade de vida.
Mudança de Paradigmas: Do Modelo Médico para Cuidados Centrados na Pessoa
O modelo médico tradicional, embora essencial em casos específicos, muitas vezes não consegue dar resposta às preferências sociais, emocionais e pessoais dos indivíduos. Esta perceção alimentou uma mudança para cuidados centrados na pessoa no panorama dos cuidados continuados.
Os cuidados centrados na pessoa priorizam as necessidades, preferências e objetivos do indivíduo. Reconhece que cada pessoa é única e requer uma abordagem de cuidados personalizada. Este modelo enfatiza:
- Dignidade e Respeito: Tratar os indivíduos com respeito, reconhecendo a sua autonomia e envolvendo-os na tomada de decisões.
- Planos de Cuidados Individualizados: Desenvolver planos de cuidados com base nas necessidades, preferências e objetivos específicos da pessoa, e não numa abordagem única para todos.
- Abordagem Holística: Abordar não só as necessidades de saúde física, mas também o bem-estar social, emocional e espiritual.
- Integração Comunitária: Apoiar os indivíduos a permanecerem ativos e envolvidos nas suas comunidades.
Desafiar a Premissa: A Necessidade de uma Perspetiva Mais Ampla
Embora o modelo médico continue a ser relevante para certos indivíduos, agarrar-se unicamente a esta premissa limita a eficácia dos serviços de cuidados continuados. É necessária uma mudança fundamental, uma que reconheça as necessidades multifacetadas dos idosos e abrace uma abordagem mais holística e centrada na pessoa.
Eis porque é crucial desafiar esta premissa:
- Mudança Demográfica: A população está a envelhecer rapidamente e, com ela, surge uma maior procura por diversas opções de cuidados continuados. Muitos idosos estão a viver vidas mais longas e saudáveis e procuram serviços que apoiem a sua independência e bem-estar, e não apenas necessidades médicas.
- Foco na Qualidade de Vida: O objetivo dos cuidados continuados deve ir além do mero tratamento de condições médicas. Deve englobar a melhoria da qualidade de vida, a promoção de ligações sociais e a capacitação dos indivíduos para viverem vidas significativas.
- Custo-Eficácia: Depender fortemente de cuidados institucionais pode ser dispendioso. Explorar modelos alternativos, como os cuidados domiciliários e os serviços baseados na comunidade, pode ser mais custo-eficaz, proporcionando simultaneamente melhores resultados para os indivíduos.
O Futuro dos Cuidados Continuados: Abraçar a Inovação e a Escolha
A premissa fundamental que caracteriza os atuais serviços de cuidados continuados – a ênfase num modelo médico – requer uma reavaliação. Uma mudança para cuidados centrados na pessoa, integrados com avanços tecnológicos e um foco em serviços baseados na comunidade, é a chave para um sistema de cuidados continuados mais sustentável e eficaz.
Ao abraçar a inovação, promover a escolha e desafiar premissas desatualizadas, podemos criar um sistema de cuidados continuados que apoie verdadeiramente a dignidade, a independência e o bem-estar de todos os indivíduos.